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Cordas polirrítmicas em Triz

Nesta sexta-feira, dia 30 de agosto, sobe a cena pela primeira vez Triz, a trigésima quarta criação do Grupo Corpo.

O espetáculo tem coreografia de Rodrigo Pederneiras, cenografia e iluminação de Paulo Pederneiras, figurinos de Freusa Zechmeister e música especialmente composta por Lenine, que repete a experiência de compor para o Grupo Corpo – em 2007 assinou a trilha de Breu.

Desta vez, como estímulo à criação de sua segunda trilha para a companhia, Lenine tratou de posicionar, ele mesmo, uma espada de Dâmocles sobre sua cabeça: construir uma topografia musical recortada por subversões rítmicas (uma paixão) a partir de um único leitmotiv e utilizando somente instrumentos de corda: “É a minha expressão. Sou apaixonado por instrumentos de corda. Além disso, tenho um banco de instrumentos. Já tinha todo esse arquivo sonoro que podia explorar”, justifica o autor, que extraiu sons de maneira não convencional: tocou balalaica com arco, bandolim com baqueta.

Do berimbau à balalaica, do violino ao violão, da cítara à rabeca, da tambura ao bandolim, o copioso cortejo de cordas que povoa e imprime relevo à tessitura musical de Triz – assim como o tema central – tem suas possibilidades sonoras exploradas até as últimas consequências. A exceção que confirma a regra foi curiosamente o piano, o mais completo dos instrumentos, que comparece com… uma nota só – o ponto final e retumbante da trilha.

Em dez temas especialmente compostos, duas digressões à norma pré-estabelecida pelo autor – que há exatos 30 anos estreava na cena musical com Baque Solto, álbum realizado em parceria com Lula Queiroga – atuam como licenças poéticas e contribuem para a imprevisibilidade da narrativa.

Concebida como uma única peça, de dez movimentos, Triz, a trilha, conta, entre outras, com as participações luminosas do violinista francês Nicolas Krassik – responsável pela rabeca que brilha solitária no tema de abertura (Acordando) –, e do Quinteto da Paraíba, formado por Yerko Tabilo e André Araújo (violinos), Ronedilke Dantas (viola), Caio Diniz (violoncelo) e Xisto Medeiros (contrabaixo) –, presença decisiva em duas faixas da trilha (A Corte e Corda), registradas ‘in loco’, no estúdio Peixe Boi, em Campina Grande.

A produção musical é assinada a quatro mãos por Lenine e Bruno Giorgi, seu filho, que atua também como músico em diversas faixas, a gravação da “ópera instrumental” que inspira o novo balé do Grupo Corpo teve como base principal o estúdio O Quarto, no Rio de Janeiro, montado pelo jovem músico, que, depois de produzir o CD Chão e a trilha do filme Amor?, de João Jardim, contabiliza o terceiro trabalho de grande porte realizado em colaboração com o pai.

Grupo Corpo
Em “Triz”
Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, centro, 3236-7400). Dias 30 (sexta), 31 de agosto (sábado) e 1º de setembro (terça), às 20h30, e 3 de setembro (domingo), às 19h. R$ 80 (inteira)

O balé passa também pelas cidades do Rio de Janeiro, em setembro e São Paulo, em novembro.

Mais informações em:

www.grupocorpo.com.br

#comemória

#Lenine30

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