Atire a primeira
Atire a segunda, iaiá
Até descarregar o tambor
Até apagar a luz de, ioiô
Até nunca mais,
Já vingou.
Atirador, quando compra vingança alheia.
Tem que ter veneno na veia
Tem que saber andar num chão de navalha
Atirador tarda mas não falha
Atirador não tem dó quando atira
Atirador é o dublê da ira
Ele só sabe o nome, só viu o retrato
Alma sebosa é mais barato.
Atire a primeira
Atire a segunda, iaiá
Até descarregar o tambor
Até apagar a luz de, ioiô
Até nunca mais, já vingou.

(Lula Queiroga)
Lenine – Violão Nylon
Jr Tostoi – Craviola De 12 E Voz
Pantico Rocha – Bateria E Voz
Guila – Baixo Semi-Acústico E Voz

Lenine – Voz e Violão
Jr Tostoi – Graviola de 6 (aço), graviolas de 12, violão de nylon com caneta, violão híbrido blend e voz
Guila – Baixolão, baixo acústico e baixo semi-acústico
Pantico Rocha – Bateria e voz
Convidados especiais: Cristina Braga em “Paciência” | Victor Astorga em “O último por do sol” | Richard Boná em “A Medida da Paixão” | Julieta Venegas em “Miedo” | Gog em “A Ponte” | Iggor Cavalera em “Dois Olhos Negros” |
Regência / Arranjos, cordas e metais / Piano – Ruriá Duprat

Produzido por Lenine
Direção de produção: Leninha Brandão
Produção executiva: Andrea Comodo
Gravado por Álvaro Alencar e Paulo Lima no sistema móvel de gravação Gabisom.
Assistente de gravação: Fernando Rebello
Equipe: Gabisom | Supervisão de Engenharia: Santiago Ferraz | Assistentes: Marcos Possato / Wander Reis
PA Gabisom | Assistentes: Batata / Aru
Mixado em 2.0 por Alvaro Alencar, na Toca do Bandido (RJ)
Edição e montagem: Fernando Rebello
Assistente: Raoni Andrade
Masterizado por Ricardo Garcia no Magic Master (RJ)

Show | Técnico de PA: Denílson Campos
Técnico monitor: Éber Pinheiro
Roadies: Eysemberg Silva (Berg) e Sapula
Roadie Igor Cavalera: Marcos Limone
Roadie Cristina Braga: Fernando Medeiros
Assistentes de produção: Kadu Brito e Cris Borges
Assessoria de imprensa: Bebel Prates
Projeto gráfico: O Estúdio
Supervisão de artes: Daniela Conolly
Coordenação gráfica: Sandro Mesquita
Fotos/Capa: Guto Costa

Se você quer me seguir,
Não é seguro.
Você não quer me trancar
Num quarto escuro
Às vezes parece até que a gente deu um nó
Hoje eu quero sair só…
Você não vai me acertar
À queima-roupa
Vem cá, me deixa fugir
Me beija a boca
Às vezes parece até que a gente deu um nó
Hoje eu quero sair só…
Não demora eu tô de volta…
(Tchau!)
Vai ver se eu tô lá na esquina. Devo estar
(Tchau!)
Já deu minha hora
E eu não posso ficar
(Tchau!)
A lua me chama, eu tenho que ir pra rua
(Tchau!)
Hoje eu quero sair só!

(Lenine, Mu Chebabi e Caxa Aragão)
Lenine – Violão Nylon
Jr Tostoi – Craviola De 12
Pantico Rocha – Bateria
Guila – Baixo Semi-Acústico

Nenhum aquário é maior do que o mar
Mas o mar espelhado em seus olhos
Maior me causa o efeito
De concha no ouvido
Barulho de mar
Pipoco de onda
Ribombo de espuma e sal
Nenhuma taça me mata a sede
Mas o sarrabulho me embriaga
Mergulho na onda vaga
E eu caio na rede
Não tem quem não caia
Às vezes eu penso que sai dos teus olhos o feixe
De raio que controla a onda cerebral do peixe
Nenhuma rede é maior do que o mar
Nem quando ultrapassa o tamanho da Terra
Nem quando ela acerta
Nem quando ela erra
Nem quando ela envolve todo o planeta
Explode e devolve pro seu olhar
O tanto de tudo que eu tô pra te dar.
Se a rede é maior do que o meu amor
Não tem quem me prove
Se a rede é maior do que o meu amor
Não tem quem me prove
Às vezes eu penso que sai dos teus olhos o feixe
De raio que controla a onda cerebral do peixe
E eu caio na rede
Não tem quem não caia
Se a rede é maior do que o meu amor
Não tem que me prove

(Lenine e Lula Queiroga)
Lenine – Violão Nylon
Jr Tostoi – Craviola De 6 De Aço
Pantico Rocha – Bateria
Guila – Baixo Acústico
Walmir Gil – Fluguel
Ruria Duprat – Arranjo Fluguel

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não para
Enquanto o tempo acelera
E pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência
Será que é o tempo que me falta pra perceber?
Será que temos esse tempo pra perder?
E quem quer saber
A vida é tão rara, tão rara
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei,
A vida não para
a vida não para, não

(Lenine e Dudu Falcão)
Lenine – Violão Nylon
Convidada Especial – Cristina Braga – Harpa
Betina Stegmann, Nelson Seron Rios, Dorin Serban Tudoras, Alex Ximenes, Andrea Misiuk, Otavio Nicolai (Teco), Adriano Mello, Mauricio Takeba – Violinos
Marcelo Jaffe, Fabio Tagliaferri – Violas
Robert Suexholz E Ricardo Fukuda – Violoncelos
Ruria Duprat – Arranjo De Cordas E Regência

A onda ainda quebra na praia,
Espumas se misturam com o vento.
No dia em que ocê foi embora, eu fiquei
Sentindo saudades do que não foi
Lembrando até do que não vivi
Pensando em nós dois
Eu lembro a concha em seu ouvido,
Trazendo o barulho do mar na areia.
No dia em que você foi embora, eu fiquei
Sozinho olhando o sol morrer
Por entre as ruínas de santa cruz
Lembrando nós dois
Os edifícios abandonados,
As estradas sem ninguém,
Óleo queimado, as vigas na areia,
A lua nascendo por entre os fios dos seus
Cabelos,
Por entre os dedos da minha mão passaram
Certezas e dúvidas
Pois no dia em que você foi embora, eu fiquei
Sozinho no mundo sem ter ninguém,
O último homem no dia em que o sol morreu

(Lenine e Lula Queiroga)
Convidado Especial – Victor Astorga – Corne Inglês/Oboé
Lenine – Violão De Aço De 6
Jr Tostoi – Craviola De 12
Pantico Rocha – Bateria/Voz
Guila – Baixo Semi-Acústico

Quando você piscou por mim o aroma
Me despertou de um estado de coma
Quando você partiu prá mim o embaraço
Deu ferrugem nos meus nervos de aço
Meus olhos de raio x cegaram de medo, é…
Pois tua alma é de chumbo e segredo
Quando você ciscou por mim, indecisa
Eu fui a razão do riso da Monalisa
Quando você sorriu pra mim um beijo
Na hora “h” foi como detonar a bomba do meu desejo
Meus olhos de raio x cegaram de medo, é…
Pois tua alma é de chumbo e segredo
Meus olhos, meus olhos, meus olhos…
Meus olhos de raio x

(Lenine)
Contém Citação Da Obra “Alzira E A Torre” (Lenine)
Ed. Mameluco (Trama)
Lenine – Violão Aço De 6
Jr Tostoi – Craviola De 12 E Voz
Pantico Rocha – Bateria E Voz
Guila – Baixo Semi-Acústico E Voz
Metais: Caca Malaquias – Sax-Tenor
Nailor Proveta – Sax-Alto
François – Trombone
Ubaldo Versolato – Sax-Barítono / Walmir Gil – Trompete
Ruria Duprat – Arranjo De Metais E Regência

Mangueira, Ilê Aiê e viva o baticum
Quando a Padre Miguel encontra com Olodum
Caymmi com Noel, no Tom Maior Jobim
A Penha, a Candelária, o Senhor do Bonfim
Irmão São Salvador e São Sebastião
Tamborim, berimbau na marcação
Pontal do Arpoador, final de Itapoã
Meninos do Pelô, da Flor do Amanhã
Diga aí, diga lá
Você já foi à Bahia, nega? Não? Então vá
Diga lá, diga aí
Você já foi até o rio, nego? Não? Tem que ir
Rocinha faz parelha lá com Curuzu
Centelha, luz, axé que vem do fundo azul
Do céu, do mar, de Maré até Maricá
No reino de água e sal de mãe Iemanjá
É tanta coisa afim, tanto lá, como cá
Tem Barras, Piedades e Jardim de Alah
São trios e afoxés
Blocos de empolgação
De arranco, negro e branco
Tudo de roldão
Diga aí, diga lá
Você já foi à Bahia, nega? Não? Então vá
Diga lá, diga aí
Você já foi até o rio, nega? Não? Tem que ir
João, Benjor, Cartola
Da Viola, Gil, Velô
Coquejo, Alcyvando
Chico, Ciro, Osmar, Dodô
Geraldos e Ederaldos
Elton, Candeia e Xangô
Rufino, Aldir, Patinhas
Da Vila, Ismael, Melô
Monsueto e Batatinha
Silas, Ciata e Sinhô
Salve Mãe Menininha
Clementina voz da cor
Alô, Carlos Cachaça “pedra noventa”, falou…
Valeu: Rio e Bahia…simpatia é quase amor…
Diga aí, diga lá…

(Lenine e Sérgio Natureza)
Lenine – Violão Nylon
Jr Tostoi – Craviola De 12
Pantico Rocha – Bateria
Guila – Baixo Acústico
Metais: Caca Malaquias – Sax-Tenor
Nailor Proveta – Sax-Alto
François – Trombone
Ubaldo Versolato – Sax-Barítono / Walmir Gil – Trompete
Ruria Duprat – Arranjo De Metais E Regência

É como se a gente não soubesse
Pra que lado foi a vida
Por que tanta solidão
E não é a dor que me entristece
É não ter uma saída
Nem medida na paixão
Foi, o amor se foi perdido
Foi tão distraído
Que nem me avisou
Foi, o amor se foi calado
Tão desesperado
Que lhe machucou
É como se a gente pressentisse
Tudo que o amor não disse
Diz agora essa aflição
E ficou o cheiro pelo ar
Ficou medo de ficar
Vazio demais meu coração
Foi, o amor se foi perdido
Foi tão distraído
Que nem me avisou
Foi, o amor se foi calado
Tão desesperado
Que me maltratou

(Lenine e Dudu Falcão)
Lenine – Violão Aço De 6
Participação Especial – Richard Bona – Baixo Acústico E Voz
Betina Stegmann, Nelson Seron Rios, Dorin Serban Tudoras, Alex Ximenes, Andrea Misiuk, Otavio Nicolai (Teco), Adriano Mello E Mauricio Takeda – Violinos
Marcelo Jaffe E Fabio Tagliaferri – Violas
Robert Suexholz E Ricardo Fukuda – Violoncelos
Ruria Duprat – Arranjo De Cordas E Regência

Eu sei,
Tudo por acaso
Tudo por atraso
Mera distração
Eu sei
Por impaciência
Por obediência
Pura intuição
Qualquer dia, qualquer hora
Tempo e dimensão
O futuro foi agora, tudo é invenção
Ninguém vai saber de nada
E eu sei
Pelo sentimento,
Pelo envolvimento,
Pelo coração
Eu sei
Pela madrugada
Pela emboscada
Pela contramão
Qualquer dia, qualquer hora
Tempo e dimensão
O futuro foi agora, tudo é invenção
Ninguém vai saber de nada
Eu sei
Por qualquer poesia
Por qualquer magia
Por qualquer razão
E eu sei,
Tudo por acaso
Tudo por atraso
Mera diversão
Mera diversão
Qualquer dia, qualquer hora
Tempo e dimensão
O futuro foi agora, tudo é invenção
Ninguém vai saber de nada
Eu sei

(Lenine e Dudu Falcão)
Lenine – Violão Nylon E Voz
Jr Tostoi – Craviola De 12
Pantico – Bateria E Efeito
Guila – Baixo Acústico
Betina Stegmann, Nelson Seron Rios, Dorin Serban Tudoras, Alex Ximenes, Andrea Misiuk, Otavio Nicolai (Teco), Adriano Mello E Mauricio Takeda – Violinos
Marcelo Jaffe E Fabio Tagliaferri – Violas
Robert Suexholz E Ricardo Fukuda – Violoncelos
Ruria Duprat – Arranjo De Cordas E Regência

Tienen miedo del amor y no saber amar
Tienen miedo de la sombra y miedo de la luz
Tienen miedo de pedir y miedo de callar
Miedo que da miedo del miedo que da
Tienen miedo de subir y miedo de bajar
Tienen miedo de la noche y miedo del azul
Tienen miedo de escupir y miedo de aguantar
Miedo que da miedo del miedo que da
El miedo es una sombre que el temor no esquiva
El miedo es una trampa que atrapó al amor
El miedo es la palanca que apagó la vida
El miedo es una grieta que agrandó el dolor
Tenho medo de gente e de solidão
Tenho medo da vida e medo de morrer
Tenho medo de ficar e medo de escapulir
Medo que dá medo do medo que dá
Tenho medo de ascender e medo de apagar
Tenho medo de espera e medo de partir
Tenho medo de correr e medo de cair
Medo que dá medo do medo que dá
O medo é uma linha que separa o mundo
O medo é uma casa aonde ninguém vai
O medo é como un laço que se aperta em nós
O medo é uma força que não me deixa andar
Tienen miedo de reir y miedo de llorar
Tienen miedo de encontrarse y miedo de no ser
Tienen miedo de decir y miedo de escuchar
Miedo que da miedo del miedo que da
Tenho medo de parar e medo de avançar
Tenho medo de amarrar e medo de quebrar
Tenho medo de exigir e medo de deixar
Medo que dá medo do medo que dá
O medo é uma sombra que o temor não desvia
O medo é uma armadilha que pegou o amor
O medo é uma chave que apagou a vida
O medo é uma brecha que fez crescer a dor
El miedo es una raya que separa el mundo
El miedo es una casa donde nadie va
El miedo es como un lazo que se aprieta en nudo
El miedo es una fuerza que me impide andar
Medo de olhar no fundo
Medo de dobrar a esquina
Medo de ficar no escuro
De passar em branco, de cruzar a linha
Medo de se achar sozinho
De perder a rédea a pose e o prumo
Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo
Medo estampado na cara
Ou escondido no porão
Medo circulando nas velas
Ou em rota de colisão
Medo é de deus ou do demo?
É ordem ou é confusão?
O medo é medonho
O medo domina
O medo é a medida da indecisão
Medo de fechar a cara medo de encarar
Medo de calar a boca medo de escutar
Medo de passar a perna medo de cair
Medo de fazer de conta medo de iludir
Medo de se arrepender
Medo de deixar por fazer
Medo de amargurar pelo que não se fez
Medo de perder a vez
Medo de fugir da raia na hora H
Medo de morrer na praia depois de beber o mar
Medo que dá medo do medo que dá

(Pedro Guerra, Lenine e Rodney Assis)
Lenine – Violão Nylon E Voz
Jr Tostoi – Craviola De 12
Pantico – Bateria
Guila – Baixo Acústico
Ruria Duprat – Piano
Participação Especial – Julieta Venegas – Acordeon e Voz

A santa de Santana chorou sangue,
Chorou sangue,
Chorou sangue, era tinta vermelha
A nossa santa padroeira chorou sangue
Chorou sangue
Chorou sangue, era Deus e beleza.
Despego meu;
Quem girou a moenda partiu.
Na pressa o rosário quebrou.
Chorou, ah, chorou.
Louveira santa, desata o apuro,
Leve e tanto, sempre sido só;
Tange solto, quebrado, quebrado,
Claro Carmo, nossa sede, obá.
Madeira oca estende o apulso,
Capela sertana, sementeiro;
Lajedo molhado pisado, pisado,
Claro Carmo, nossa sede, obá, ô
Nossa sede, obá, ô,
Nossa sede, obá.

(João Carlos e Julio Barreto)
Lenine – Violão Nylon E Voz
Jr Tostoi – Craviola De 12
Pantico – Bateria E
Guila – Baixo Acústico

Como é que faz pra lavar a roupa?
Como é que faz pra raiar o dia?
Este lugar é uma maravilha
Mas como é que faz pra sair da ilha?
Como é que faz pra lavar a roupa?
Vai na fonte, vai na fonte
Como é que faz pra raiar o dia?
No horizonte, no horizonte
Este lugar é uma maravilha
Mas como é que faz pra sair da ilha?
Pela ponte, pela ponte
A ponte não é de concreto, não é de ferro
Não é de cimento
A ponte é até onde vai o meu pensamento
A ponte não é para ir nem pra voltar
A ponte é somente pra atravessar
Caminhar sobre as águas desse momento
Como é que faz pra lavar a roupa?
Vai na fonte, vai na fonte
Como é que faz pra raiar o dia?
No horizonte, no horizonte
Este lugar é uma maravilha
Mas como é que faz pra sair da ilha?
Pela ponte, pela ponte
A ponte nem tem que sair do lugar
A ponte pra onde quiser
A ponte é o abraço do braço do mar
Com a mão da maré
A ponte não é para ir nem pra voltar
A ponte é somente pra atravessar
Caminhar sobre as águas desse momento
Eu já atravessei a ponte do Paraguai
Um filme inspirou a ponte do rio que cai
É sucesso em Campinas e na voz dos Racionais
Mas a ponte da capital é demais
Projetada pra aproximar
Do centro o São Sebastião, o lago e o Paranoá
Desafogaram o tráfego na região
Visitantes de chegada, nova opção
Fique ligado, acompanho passo a passo
Condomínios luxuosos de todos os lados
O congresso e o planalto colados
“Aqueles barraco ali ó, vão ser retirados”
A ponte é luxo, nada é mono, só estéreo
Mil e duzentos metros, louco visual aéreo
Quem sobe só pra regular a antena
Reforça as pontes-safena
A ponte começou depois, mas terminou
Bem antes que as obras do metrô
Quem mora fora do avião
Bate palma, aplaude, apoia, pede diversão
A ponte é muito, muito iluminada
A pôr do sol numa visão privilegiada
O povo quer passar, vê nela algo místico
A ponte virou ponto turístico
(Esse lugar é uma maravilha no horizonte, no horizonte)
A ponte é um vai e vem de doutor
Tem ambulante, tem camelô
Olha pra baixo, vê jet-ski e altos barcos
Olha pra cima, lá estão os três arcos
A ponte saiu do papel, virou realidade
Novo cartão postal da cidade
Um quer transformar ela em patrimônio mundial
Um outro num inquérito policial
Então, então, então, na sua opinião, Lenine,
Tá normal ou existe crime?
Se souber o caminho de rocha, me aponte
Vai na fonte, vai na fonte onde
É…a ponte simboliza união
No nosso caso, Brasília e o sertão
(A ponte não é de concreto, não é de ferro, não é de cimento)
É do vermelho, é do azul é de cada elemento
Leva o nome de JK
Que transferiu a capital do litoral pra cá
Lenine, te peço mais um favor [Diz aí]
Cante a origem deste preto que se apresentou
[Nagô, Nagô na Golgen Gate…]
Eu falei
Nagô, Nagô, na Golden Gate
[Quem foi?]
O projeto é do arquiteto Alexandre Shan
[Pagaram?]
Todas as contas foram aprovadas pelo TCU
[Me diz quanto foi]
164 milhões de reais
Periferia é o lugar

(Lenine e Lula Queiroga)
Música Incidental: Eu E Lenine (A Ponte), Autoria De Gig
Lenine – Violão Nylon E Voz
Jr Tostoi – Craviola De 12 Com Captação Magnética E Voz
Pantico – Bateria E Voz
Guila – Baixolão E Voz
Metais: Caca Malaquias – Sax-Tenor; Nailor Proveta – Sax-Alto; François – Trombone; Ubaldo Versolato – Sax-Barítono; Walmir Gil – Trompete
Ruria Duprat – Arranjo De Metais E Regência
Participação Especial – Gog

Queria ter coragem de saber
O que me prende? O que me paralisa?
Serão dois olhos negros como os teus,
Que me farão cruzar a divisa?
É como se eu fosse prum Vietnã,
Lutar por algo que não será meu.
A curiosidade de saber, quem é você?
Dois olhos negros…
Queria ter coragem de te falar,
Mas qual seria o idioma?
Congelado em meu próprio frio,
Um pobre coração em chamas.
É como se eu fosse um colegial,
Diante da equação, o quadro, o giz,
A curiosidade do aprendiz,
Diante de você…
Dois olhos negros…
O ocultismo, o vampirismo, o voodoo,
O ritual, a dança da chuva,
A ponta do alfinete, o corpo nu,
Os vários olhos da Medusa.
É como se estivéssemos ali,
Durante os séculos fazendo amor,
É como se a vida terminasse ali,
No fim do corredor…
Dois olhos negros…

(Lula Queiroga)
Lenine – Violão Nylon E Voz
Jr Tostoi – Violão De Nylon Com Caneta E Voz
Pantico – Bateria E Voz
Guila – Baixo Semi-Acústico E Voz
Participação Especial – Iggor Cavalera

Jack Soul Brasileiro
E que o som do pandeiro
É certeiro e tem direção
Já que subi nesse ringue
E o país do suingue
É o país da contradição,
Eu canto pro rei da levada
Na lei da embolada
Na língua da percussão
A dança, a muganga, o dengo
A ginga do mamulengo
O charme dessa nação
Quem foi
Que fez o samba embolar?
Quem foi
Que fez o coco sambar?
Quem foi
Que fez a ema gemer na boa?
Quem foi
Que fez do coco um cocar?
Quem foi
Que deixou o oco no lugar?
Quem foi
Que fez o sapo cantor de lagoa?
Diz aí, Tião!
Tião? – Oi…
Foste? – Fui
Compraste? – Comprei
Pagaste? – Paguei
Me diz quanto foi? – Foi 500 reais
Jack Soul Brasileiro
Do tempero e do batuque
Do truque do picadeiro
Do pandeiro e do repique
Do pique do funk-rock,
Do toque da platinela,
Do samba na passarela,
Dessa alma brasileira
Despencando na ladeira
Na zoeira da banguela
*Quem foi?…
* E diz aí, Tião…
Eu só ponho o be-bop no meu samba
Quando o Tio Sam pegar no tamborim
Quando ele pegar no pandeiro e no zabumba
Quando ele entender que o samba não é rumba
Aí eu vou misturar, Miami com Copacabana
Chiclete, eu misturo com banana
E o meu samba, e o meu samba vai ficar assim…
A ema gemeu
A ema gemeu…

(Lenine)
CITAÇÃO DA OBRA “DEIXA ISSO PRA LÁ” (ALBERTO PAZ – EDSON MENEZES). ED TODAMÉRICA (ADDAF)
Lenine – Violão Nylon E Voz
Jr Tostoi – Craviola De 12 E Violão Híbrido Blend
Pantico – Bateria E Voz
Guila – Baixo Acústico E Voz
Metais: Caca Malaquias – Sax-Tenor E Pífano; Nailor Proveta – Sax-Alto E Clarinete; François – Tombone; Ubaldo Versolato – Sax-Barítono E Piccolo; Walmir Gil – Trompete
Betina Stegmann, Nelson Seron Rios, Dorin Serban Tudoras, Alex Ximenes, Andrea Misiuk, Otavio Nicolai (Teco), Adriano Mello E Mauricio Takeda – Violinos
Marcelo Jaffe E Fabio Tagliaferri – Violas
Robert Suexholz E Ricardo Fukuda – Violoncelos
Ruria Duprat – Arranjo De Metais, Cordas E Regência