Chão chega perto do céu
Quando você levanta a cabeça e tira o chapéu
Chão cabe na minha mão
O pequeno latifúndio do seu coração
Chão quando quer descer
Faz uma ladeira
Chão quando quer crescer
Vira cordilheira
Chão segue debaixo do mar
O assoalho da planeta e do terceiro andar
Chão onde a vista alcançar
Todo e qualquer caminho pra percorrer e chegar
Chão quando quer sumir
Se esconde no buraco
Chão se quer sacudir
Vira um terremoto
O chão quando foge dos pés
Tudo perde a gravidade
Então ficaremos só nós
A um palmo do chão da cidade

(Lenine / Lula Queiroga)

Lenine – voz, vocais e violão
Bruno Giorgi – baixo, synth, mpc e delays
Jr Tostoi – guitarra e ebow
Sofia Caesar – passos

Produzido por Bruno Giorgi, Jr Tostoi e Lenine
Produção executiva – Bel Levy e Adriana Rielo
Gravado entre março e agosto de 2011 nos estúdios O Quarto, Ministereo e Biscoito Fino no Rio de Janeiro

Assistente de estúdio O Quarto – Bernardo Pimentel
Captação de sons por Bruno Giorgi
Mixado por Bruno Giorgi no estúdio Biscoito Fino (RJ)
Assistentes de estúdio Biscoito Fino – Lucas Ariel, Gustavo Krebs, Daniel Estacado e Mino Alencar
Masterizado por Carlos Freitas no Classic Master (SP)
Assistente Classic Master – Lila Stipp
Foto Capa – Anna Barroso
Foto Lenine – Hugo Prata e Rodrigo Carvalho
Arte – Prata Design
Tratamento de Imagem – Fujocka Photodesign
Assessoria de imprensa – Paula Gomes e Anna Carolina Braz
Conteudo digital – Predileta Produções
Management – KK Mamoni

Pode ser um lapso do tempo
E a partir desse momento
Acabou-se solidão
Pinga gota a gota o sentimento
Que escorrega pela veia
E vai bater no coração
Quando vê já foi pro pensamento
Já mexeu na sua vida
Já varreu sua razão
Acelera a asa do sorriso
Muda o colorido
Vira o ponto de visão
Cai o medo tolo, cai o rumo
Quando a terra sai do prumo
E eu estou perto de ti
Abre-se a comporta da represa
Desviando a natureza
Prum lugar que eu nunca vi
Uma vida é pouco para tanto
Mas no meio desse encanto
Tempo deixa de existir
É como tocar a eternidade
É como se hoje fosse
O dia em que eu nasci
Livre, quando vem e leva
Lava a alma, leve, vai tranquila
E a pupila acesa do seu olho disse “love”
Bem. Se não for amor, eu cegue
Bem. Se não for amor, eu fico
Eu sigo, sigo, sigo, eu fico cego por ti

(Lenine / Lula Queiroga)
Lenine – voz e vocais
Bruno Giorgi – coração, baixo, guitarra e delays
Jr Tostoi – harmônico e guitarra
Sofia Caesar – respiração

Qualquer amor já é
Um pouquinho de saúde
Um montão de claridade
Contribuição
Pra cura dos problemas da cidade
Qualquer amor que vem
Desse vagabundo e bobo
Coração atrapalhado
Procurando o endereço
De outro coração fechado
Amor é pra quem ama
Amor matéria-prima
A chama
O sumo
A soma
O tema
Amor é pra quem vive
Amor que não prescreve
Eterno
Terno
Pleno
Insano
Luz do sol da noite escura
“Qualquer amor já é
Um pouquinho de saúde
Um descanso na loucura”

(Lenine / Ivan Santos)

Lenine – voz, vocal, violão e guitarra
Bruno Giorgi – guitarra
Jr Tostoi – guitarra e cavaco
Frederico – pio

Essa cidade tem uns seres estranhos
Que seres tão estranhos essa cidade tem…
Um simples solta os cachorros
Outro é o anjo da casa
Um traz a marca do Zorro
Outro, dois pares de asa
Um todo dia é suspenso
Um não tem quem lhe garanta
Esse se fecha em silêncios
Aquele conversa com as plantas
Um é somente apatia
Outro se diz que é um crânio
Esse transpira energia
E aquele urina urânio
Um toca choro na Lapa
Outro é de uma seita cristã
Um é o diabo de capa
Outro é Madame Satã
Essa cidade tem uns seres estranhos
Que seres tão estranhos essa cidade tem…
Um já nem fuma, nem bebe
Um quase morreu de sede
Um vê programa da Hebe
Outro é profeta na rede
Um é o que é sempre escolhido
Outro é o que é mais elegante
Esse cresceu reprimido
Aquele nasceu replicante
Um é aguado e insosso
Outro, avoado e brilhante
Esse remói o caroço
Aquele mastiga diamante
Um tá no fim do caderno
Outro dá início à leitura
Um é a fúria do inferno
Outro, eterna ternura

(Lenine / Ivan Santos)

Lenine – voz, vocais, violão e guitarra
Bruno Giorgi – synths, delays e máquina de lavar
Jr Tostoi – guitarra, ebow e looper

Desde de que eu me encanto
Sigo a voz do vento
Já faz tanto tempo
Canto, intento
A cantoria
que me levaria a qualquer lugar
A melodia
que transformaria a quem escutar
Assim, num piscar
E fosse o canto, assim como
um quebranto, a compreensão
E cada nota
revelasse a reta do seu coração
Só pela canção
Tocar você
Já faz tanto tempo
Que sigo a voz do vento
Canto e não me canso
Danço, invento
Uma batida
que tocasse a vida prum lugar melhor
Uma canção
que fosse direção praquela paz maior
A canção e só
Que esse quebranto
entoasse o canto pela multidão
Que a minha reta
siga cada nota até o seu coração
Só pela canção
Tocar você

(Lenine)

Lenine – voz e violão
Bruno Giorgi – sampler, synth, pitch-shifter e chaleira

Se por acaso pareço
Que agora já não padeço
De um mau pedaço na vida
Saiba que minha alegria
Como é normal, todavia
Com a dor é dividida
Eu sofro igual todo mundo
Eu apenas não me afundo
Em sofrimento infindo
Eu posso até ir ao fundo
De um poço de dor profundo
Mas volto depois sorrindo
Em tempos de tempestades
Diversas adversidades
Eu me equilibro, e requebro
É que eu sou tal qual a vara
Bamba de bambu-taquara
Eu envergo mas não quebro
Não é só felicidade
Que tem fim na realidade
A tristeza também tem
Tudo acaba, se inicia
Temporal e calmaria
Noite e dia vai e vem
Quando é má a maré
E quando já não dá pé
Não me revolto ou nem queixo
É tal qual um barco solto
Salvo do alto-mar revolto
Volto firme pro meu eixo
E em noite assim como esta
Eu cantando numa festa
Ergo o meu copo e celebro
Os bons momentos da vida
E nos maus tempos da lida
Eu envergo mas não quebro

(Lenine / Carlos Rennó)

Lenine – voz, vocal e guitarra
Bruno Giorgi – delays, looper, dobro, vocal e motoserra
Jr Tostoi – guitarra e guitarra de 12
Yuri Pimentel – baixo acústico

Malvadeza
Judiar assim
Tenha dó do meu coração
Que desatinou, roeu que deu pena
Amargou essa solidão
Desabou a chorar por ti, ô, Serena
Pronto pro teu perdão
faixa 08 – Tudo Que Me Falta, Nada Que Me Sobra
(Lenine / Lucky Luciano)
Tenho tudo o que me falta
Dentro da minha cabeça
Tenho a montanha mais alta
Onde o teu amor me esqueça
Tenho a linha do horizonte
Costurando os meus desvios
Sentimento eu tenho um monte
Dentro do peito vazio
Tenho saudade depois
Dentro do peito vazio
Que o vento levou nós dois
Na hora em que o céu se abriu
Tenho nada que me sobra
Por fora da minha alma
A cabeça é quem me cobra
É quem traça a via calma
Tenho nada além de mim
Meus desejos e anseios
E a certeza que este fim
Justificará os meios
O início virá depois
Pra justificar os meios
Seremos sempre nós dois
Pelos céus em devaneios

(Lenine)

Lenine – voz, vocais e drone
Bruno Giorgi – sequence e cigarras

Tenho tudo o que me falta
Dentro da minha cabeça
Tenho a montanha mais alta
Onde o teu amor me esqueça
Tenho a linha do horizonte
Costurando os meus desvios
Sentimento eu tenho um monte
Dentro do peito vazio
Tenho saudade depois
Dentro do peito vazio
Que o vento levou nós dois
Na hora em que o céu se abriu
Tenho nada que me sobra
Por fora da minha alma
A cabeça é quem me cobra
É quem traça a via calma
Tenho nada além de mim
Meus desejos e anseios
E a certeza que este fim
Justificará os meios
O início virá depois
Pra justificar os meios
Seremos sempre nós dois
Pelos céus em devaneios

(Lenine / Luck Luciano)

Lenine – voz, dobro e violão
Bruno Giorgi – bandolim e looper
Jr Tostoi – baixo
Yuri Pimentel – baixo acústico

(Lenine / Luck Luciano)

Lenine – voz, dobro e violão
Bruno Giorgi – bandolim e looper
Jr Tostoi – baixo
Yuri Pimentel – baixo acústico

De onde vem a canção?Quando do céu despenca
Quando já nasce pronta
Quando o vento é que inventa
De onde vem a canção?
De onde vem a canção?
Quando se materializa
No instante que se encanta
Do nada se concretiza
De onde vem a canção?
Pra onde vai a canção
Quando finda a melodia?
Onde a onda se propaga?
Em que espectro irradia?
Pra onde ela vai quando tudo silencia?
Depois do som consumado
Onde ela existiria?

(Lenine)

Lenine – voz e violão
Bruno Giorgi – baixo, vocal, metrônomo e máquina de escrever
Jr Tostoi – piano e metalofone

Aqui chegamos, enfim
A um ponto sem regresso
Ao começo do fim
De um longo e lento processo
Que se apressa a cada ano
Como um progresso insano
Que marcha pro retrocesso
Estranhos dias vivemos
Dias de eventos extremos
E de excessos em excesso
Mas se com tudo que vemos
Os olhos viram do avesso
Outros eventos veremos
Outros, extremos, virão
Prepare seu coração
Que isso é só o começo
E isso é só o começo…
Aqui chegamos, porém
Num evento diferente
Onde a gente se entretém
Um ao outro, frente a frente
Deixando um pouco ao fundo
O ambiente do mundo
Por esse aqui, entre a gente
Assim nesse clima quente
No espaço e tempo presente
Meu canto eu lanço, não meço
Minha rima eu arremesso
Pra que nada fique intacto
E tudo sinta o impacto
Da ação de cada canção
Preparem-se, irmã, irmão
Que isso é só o começo
E isso é só o começo…

(Lenine / Carlos Rennó)

Lenine – voz, vocais e violão
Bruno Giorgi – sampler e looper