Muito do que eu faço
Não penso, me lanço sem compromisso.
Vou no meu compasso
Danço, não canso a ninguém cobiço.
Tudo o que eu te peço
É por tudo que fiz e sei que mereço
Posso, e te confesso.
Você não sabe da missa um terço
Tanto choro e pranto
A vida dando na cara
Não ofereço a face nem sorriso amarelo
Dentro do meu peito uma vontade bigorna
Um desejo martelo
Tanto desencanto
A vida não te perdoa
Tendo tudo contra e nada me transtorna
Dentro do meu peito um desejo martelo
Uma vontade bigorna
Vou certo
De estar no caminho
Desperto.

(Lenine)
Lenine – voz, violão e percussão de boca

Jr Tostoi – guitarra, edição, efeitos e samplers de cordas

Guila – baixo

Pantico Rocha – bateria

Quinteto da Paraíba: Xisto Medeiros (contrabaixo e arranjo de cordas), Kalin Campos (violoncelo), Ronedilk Dantas (viola), Yerko Tabilo e André Araújo (violino)

Produzido por Jr Tostoi e Lenine, exceto “La vem a cidade”, por Rodrigo Campello e “Samba e Leveza”, por Kassin
Direção de produção: Leninha Brandão
Produção executiva: Adriana Penna
Produção Lenine: Andrea Comodo
Assistentes de produção: Karla Gallo e Ana Paula Nogueira

Composto em março de 2008 na Urca, Rio de Janeiro
Gravado entre os meses de março e junho de 2008 por Jr Tostoi, Denilson Campos e Rodrigo Delacroix no Estudio Ministereo, no Rio de Janeiro
Gravações adicionais nos estúdios Tenda da Raposa e Solo Áudio (Rio de Janeiro) e Carranca (Recife)
Voz Lenine gravada com unidade móvel Solo Áudio no orquidário da Casa dos Lagos, Vale das Videiras
Edições adicionais Denilson Campos e Rodrigo Delacroix

Mixado em analógico entre 25 de junho e 5 de julho de 2008 por Denilson Campos no Real World Studios, em Box WiltShire, Inglaterra, assistido por Greg Freeman
Masterizado por Ricardo Garcia no Magic Master
Assistente Pedro Rios Leão

Design gráfico Tecnopop (Raul Mourão, Theo Carvalho e Fernando Rocha)
Foto capa Theo Carvalho
Fotos Lenine Nana Moraes
Figurino Gilda Midani
Styling Nana Dain
Assessoria de marketing Predileta Produções

Moça
pernas de pinça
Alta
corpo de lança
Magra
olhos de corça
Leve
toda cortiça
Passa
como que nua
Calma
finge que voa
Brasa
chama na areia
Bela
como eu queria
Magra, leve, calma
toda ela bela
tudo nela chama
Segue
enquanto suspiro
Toda
cor de tempero
Cheira
um cheiro tão raro
Clara
cura o escuro
Ela
braços de linha
Dengo
cheio de manha
Durmo
e peço que venha
Acordo
e sonho que é minha
Magra, leve, calma
toda ela bela
tudo nela chama
Delgada
Chica
Piernas de pinza
Alta
Cuerpo de lanza
Delgada
Ojos de corza
Leve
Con ligereza
Pasa
Como desnuda
Calma
Finge que vuela
Brasa
Llama en la arena
Bella
Como yo quería
Delgada, leve, calma
Toda ella bella
Todo en ella me llama
Sigue
Mientras suspiro
Todo
El color del aderezo
Exhala
Un olor tan raro
Clara
Cura lo oscuro
Ella
Brazos de línea
Contoneo
Lleno de picardía
Duermo
Y pensaba que venía
Me despierto
Y sueño que es mía
Delgada, leve, calma
Toda ella bella
Todo en ella me llama

(Lenine / Ivan Santos)

Lenine – voz e violão

Jr Tostoi – violão, edição, efeitos, programação, percussão e palmas

Pantico Rocha – bateria

Guila – baixo

Pra Goretti
Foi na leveza
Só sentimento
E me entregou suas palavras
Como quem dava um pedaço
Delicadeza foi
Disse ao meu coração
E ela me deu a intenção
Do samba que eu não fiz
Ô, sambá
É o que eu quero sentir
Ô, sambá
Quando eu te ver sorrir
Ô, sambá
Coisa melhor que eu fiz
Mundo caiu no samba
Na hora que eu te vi
Você me batucou
Skindô meu coração
Quando eu te vi
Sambar assim
Aqui neste lugar
Onde este mesmo sol
Costuma aparecer
E a lua vem ouvir
O som estéreo do mar
Ô, sambá
Venha me dar seu amor
Ô, sambá
Que eu sambo aonde for
Ô, sambá
É o tempo certo de ser
E eu sambaria o mundo
Só pra encontrar você
Samba y suavidad
Fue con suavidad
Con sentimiento
Y me entregó sus palabras
Como quien daba un pedazo
Delicadeza fue
Le habló a mi corazón
Y me dio la intención
Del samba que no hice
Oh, sambá
Es lo que quiero sentir
Oh, sambá
Cuando te vea sonreír
Oh, sambá
Será lo mejor que hice
El mundo cayó en el samba
Cuando te vi
Todo entero vibré
Se aceleró mi corazón
Cuando te vi
Sambar así
Aquí en este lugar
Donde este mismo sol
Suele aparecer
Y la luna viene a oír
El sonido estéreo del mar
Oh, sambá
Ven a darme tu amor
Oh, sambá
Que sambo donde sea
Oh, sambá
Es el momento justo de ser
Y sambaría el mundo
Sólo para encontrarte

(Lenine / Chico Science)

Lenine – voz e violão

Kassin – co-produção, programação e sintetizador

Jr Tostoi – programação, piano safado, sampler e guitarra

Zero – percussão

A mancha vem comendo pela beira
O óleo já tomou a cabeceira do rio
E avança
A mancha que vazou do casco do navio
Colando as asas da ave praieira
A mancha vem vindo
Vem mais rápido que lancha
Afogando peixe, encalhando prancha
A mancha que mancha,
Que mancha de óleo e vergonha
Que mancha a jangada, que mancha a areia
Negra praia brasileira
Onde a morena gestante
Filha do pescador
Derrama lágrimas negras
Vigiando o horizonte
Esperando o seu amor
La mancha
La mancha viene poco a poco por la orilla
el fuel ya está en la cabecera del río
y avanza
la mancha que se vertió del casco del navío
pegando las alas del ave de playa
la mancha está llegando
viene más rápido que una lancha
ahogando peces, encallando planchas
la mancha que mancha,
que mancha de fuel y vergüenza
que mancha la balsa, que mancha la arena
negra playa brasileña
donde la morena gestante
hija del pescador
derrama lágrimas negras
vigilando el horizonte
esperando a su amor

(Lenine / Lula Queiroga)

Lenine – voz, guitarra, violão, surdo e percussão

Jr Tostoi – guitarra com bacalhau, edição, programação e efeitos

Pantico Rocha – bateria

Guila – baixo

A Parede (Mário Moura, Ca Ferrari, Sidon Silva e Celso Alvim) – batucada

– Lá vem a cidade

(Lenine / Bráulio Tavares)

Lenine – voz e violão

Rodrigo Campello – co-produção, programação, scratch, violão, cavaquinho e baixo

Jr Tostoi – guitarra, edição, programação, efeitos e dubs

Pantico Rocha – repique e hi-hat

Eu vim plantar meu castelo
Naquela serra de lá,
Onde daqui a cem anos
Vai ser uma beira-mar…
Vi a cidade passando,
Rugindo, através de mim…
Cada vida
Era uma batida
Dum imenso tamborim.
Eu era o lugar, ela era a viagem
Cada um era real, cada outro era miragem.
Eu era transparente e era gigante
Eu era a cruza entre o sempre e o instante.
Letras misturadas com metal
E a cidade crescia como um animal,
Em estruturas postiças,
Sobre areias movediças,
Sobre ossadas e carniças,
Sobre o pântano que cobre o sambaqui…
Sobre o país ancestral
Sobre a folha do jornal
Sobre a cama de casal onde eu nasci.
Eu vim plantar meu castelo
Naquela serra de lá,
Onde daqui a cem anos
Vai ser uma beira-mar…
A cidade
Passou me lavrando todo…
A cidade
Chegou me passou no rodo…
Passou como um caminhão
Passa através de um segundo
Quando desce a ladeira na banguela…
Veio com luzes e sons.
Com sonhos maus, sonhos bons.
Falava como um Camões,
Gemia feito pantera.
Ela era…
Bela… Fera.
Desta cidade um dia só restará
O vento que levou meu verso embora…
Mas onde ele estiver, ela estará:
Um será o mundo de dentro,
Será o outro o mundo de fora.
Vi a cidade fervendo
Na emulsão da retina.
Crepitar de vida ardendo,
Mariposa e lamparina.
A cidade ensurdecia,
Rugia como um incêndio,
Era veneno e vacina…
Eu vim plantar meu castelo
Naquela serra de lá,
Onde daqui a cem anos
Vai ser uma beira-mar…
Eu pairava no ar, e olhava a cidade
Passando veloz lá embaixo de mim.
Eram dez milhões de mentes,
Dez milhões de inconscientes,
Se misturam… Viram entes…
Os quais conduzem as gentes
Como se fossem correntes
Dum rio que não tem fim?
Esse ruído
São os séculos pingando…
E as cidades crescendo e se cruzando
Como círculos na água da lagoa.
E eu vi nuvens de poeira
E vi uma tribo inteira
Fugindo em toda carreira
Pisando em roça e fogueira
Ganhando uma ribanceira…
E a cidade vinha vindo,
A cidade vinha andando,
A cidade intumescendo:
Crescendo… se aproximando.
Ahí viene la ciudad
Vine a plantar mi castillo
en aquella sierra de allá,
donde dentro de cien años
estará la orilla del mar…
Vi la ciudad pasando,
rugiendo, a través de mí…
Cada vida
era una batida
de un inmenso tamborín.
Yo era el lugar, ella el viaje
cada uno era real, cada otro era espejismo.
Yo era transparente y gigante
era el cruce entre el siempre y el instante.
Letras mezcladas con metal
y la ciudad crecía como un animal,
en estructuras postizas,
sobre arenas movedizas,
sobre osamentas y carroña,
sobre el pantano que cubre el conchal…
Sobre el país ancestral
sobre la hoja del periódico
sobre la cama de matrimonio donde nací.
Vine a plantar mi castillo
en aquella sierra de allá,
donde dentro de cien años
estará la orilla del mar…
La ciudad
pasó arando todo…
La ciudad
llegó me arrolló…
Pasó como un camión
pasa, a través de un segundo,
cuando baja la ladera por inercia…
Vino con luces y sonidos.
Con malos sueños, buenos sueños.
Hablaba como camões,
gemía como una pantera.
Era…
Bella… Fiera.
De esta ciudad un día sólo restará
el viento que se llevó mi verso…
Pero donde esté, estará ella:
uno será el mundo de dentro,
será el otro el mundo de fuera.
Vi la ciudad hirviendo
en la emulsión de la retina.
Crepitar de vida ardiendo,
mariposa y lamparilla.
La ciudad ensordecía,
rugía como un incendio,
era veneno y vacuna…
Vine a plantar mi castillo
en aquella sierra de allá,
donde dentro de cien años
estará la orilla del mar…
Planeaba en el aire, y miraba la ciudad
pasando veloz allá debajo de mí.
Eran diez millones de mentes,
diez millones de inconscientes,
se mezclan… Se convierten en entes…
Que conducen a las gentes
como si fueran corrientes
de un río que no tiene fin
ese ruido
son los siglos goteando…
Y las ciudades creciendo y cruzándose
como círculos en el agua de la laguna.
Y vi nubes de polvo
y vi una tribu entera
huyendo a toda carrera
pisando en el campo y la hoguera
alcanzando un ribazo…
Y la ciudad estaba llegando,
la ciudad venía andando,
la ciudad hinchándose:
creciendo… Aproximándose.
Vine a plantar mi castillo
en aquella sierra de allá,
donde dentro de cien años
estará la orilla del mar…

(Lenine / Bráulio Tavares)

Lenine – voz e violão

Rodrigo Campello – co-produção, programação, scratch, violão, cavaquinho e baixo

Jr Tostoi – guitarra, edição, programação, efeitos e dubs

Pantico Rocha – repique e hi-hat

O céu é muito
Para o sol
Alcança só
O que gravita
O tempo é longo
Pra quem fica
A terra gira
Pra nós dois
Um ano é pouco
Pra depois
O mundo é largo
Pra quem fita
A lua é manto
Para o mar
Querer é tanto
Para a vida
A lua é longe
O sol é mais
Por que você
Não acredita?
El cielo es mucho
El cielo es mucho
para el sol
alcanza sólo
lo que gravita
el tiempo es largo
para quien se queda
la tierra gira
para los dos
un año es poco
para después
el mundo es ancho
para quien lo mira
la luna es un manto
para el mar
querer es tanto
para la vida
la luna está lejos
el sol lo está más
¿por qué no
me crees?

(Lenine / Arnaldo Antunes)

Lenine – voz, guitarra, violão, dobro e efeitos

Jr Tostoi – guitarra, dobro, edição, dubs e uhu

Pantico Rocha – bateria

Guila – baixo

Arnaldo Antunes – “acredite”

Éramos uma pá de “apocalípticos”,
De meros “hippies”, com um “falso” alarme…
Economistas, médicos, políticos
apenas nos tratavam com escárnio.
Nossas visões se revelaram válidas,
E eles se calaram – mas é tarde.
As noites ‘tão ficando meio cálidas…
E um mato grosso em chamas longe arde:
O verde em cinzas se converte logo, logo…
É fogo! É fogo!
Éramos “uns poetas loucos, místicos”…
Éramos tudo o que não era são;
Agora são – com dados estatísticos –
Os cientistas que nos dão razão.
De que valeu, em suma, a suma lógica
Do máximo consumo de hoje em dia,
Duma bárbara marcha tecnológica
E da fé cega na tecnologia?
Há só um sentimento que é de dó e de
malogro…
É fogo… É fogo…
Doce morada bela, rica e única,
Dilapidada – só – como se fôsseis
A mina da fortuna econômica,
A fonte eterna de energias fósseis,
O que será, com mais alguns graus celsius,
De um rio, uma baía ou um recife,
Ou um ilhéu ao léu clamando aos céus, se os
Mares subirem muito, em tenerife?
E dos sem-água, o que será de cada súplica,
De cada rogo
É fogo… É fogo…
Em tanta parte, do ártico à antártida
Deixamos nossa marca no planeta:
Aliviemos já a pior parte da
Tragédia anunciada com trombeta.
O estrago vai ser pago pela gente toda;
É foda! É fogo!…
É a vida em jogo!
Qué jugada
Éramos un montón de “apocalípticos”,
de meros “hippies”, con una “falsa” alarma…
Economistas, médicos, políticos
sólo nos trataban con escarnio.
Nuestras visiones se revelaron válidas,
y ellos se callaron – pero es tarde.
Las noches están más cálidas…
Y un matorral denso en llamas a lo lejos arde:
el verde en cenizas se convierte, no falta nada, nada…
¡qué jugada! ¡qué jugada!
Éramos “unos poetas locos, místicos”…
Éramos todo lo que no era sano;
ahora son – con datos estadísticos –
los científicos los que nos dan la razón.
¿de qué valió, en suma, la suma lógica
del máximo consumo de hoy en día,
de una bárbara marcha tecnológica
y de la fe ciega en la tecnología?
Hay sólo un sentimiento de dolor y
Fracaso..
. Qué jugada… Qué jugada…
Dulce morada bella, rica y única,
dilapidada – sólo – como si fueras
la mina de la fortuna económica,
la fuente eterna de energías fósiles,
¿qué será, con algunos grados celsius más,
de un río, una bahía o un recife,
o un isleño al descubierto clamando a los cielos, si los
mares suben mucho en tenerife?
Y de los sin agua, ¿qué será de cada súplica,
de cada ruego?
Qué jugada… Qué jugada…
En tantas partes, del ártico a la antártida
dejamos nuestra marca en el planeta:
aliviemos ya la peor parte de la
tragedia anunciada con trompetas.
El daño lo vamos a pagar todos;
¡qué putada! ¡qué jugada!…
¡es la vida en juego!

(Lenine / Carlos Rennó)

Lenine – voz e violão

Jr Tostoi – edição e filtros

Pantico Rocha – bateria

Serginho Trombone – arranjo de metais, trombone e solo

Jessé Sadoc – trompete

Zé Canuto – sax-soprano

Aldivas Ayres – trombone

PLAP – Ca Ferrari (zabumba, surdo e prato), Sidon Silva (reco-reco e metal), Celso Alvim (caixa, baixela e pratos), Mario Moura (baixo) e Léo Saad

Coro – Pedro Luis, João Cavalcanti, Bruno Giorgi, Robson Marques, Rodrigo Campello, Jr Tostoi, Guila, Lenine, Serginho Trombone, Jessé Sadoc, Aldivas Ayres e Zé Canuto

Daqui desse momento
O meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem
Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa
Às vezes é o instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto
E é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o seu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa
A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa
Es lo que me interesa
Desde aquí desde este momento
de mi mirada hacia fuera
el mundo es solo un espejismo
la sombra del futuro
la sobra del pasado
asombran el paisaje
quién va a cambiar el juego
y transformar la pérdida
en nuestra recompensa
cuando mire hacia un lado
quiero estar rodeado
sólo de quien me interesa
a veces es el instante
la tarde se calla
el viento sopla a mi favor
a veces presiento
y es como una nostalgia
de un tiempo que todavía no pasó
me trae un sosiego
atrasa mi reloj
calma mi prisa
me da su palabra
me susurra al oído
sólo lo que me interesa
la lógica del viento
el caos del pensamiento
la paz en la soledad
la órbita del tiempo
la pausa del retrato
la voz de la intuición
la curva del universo
la fórmula del acaso
El alcance de la promesa
el salto del deseo
el ahora y el infinito
sólo lo que me interesa

(Lenine / Dudu Falcão)

Lenine – voz, violão e percussão

Jr Tostoi – guitarra, edição, programação, efeitos e samplers

Guila – baixo

Arthur Dutra – vibrafone

De toda terra em que anda
O mar só dança ciranda
Na ilha de Itamaracá
E quando o mar cirandeia
Eu cirandeio na areia
Eu cirandeio no mar
Achei na praia um marisco
Com a letra do nome dela
Do lado eu fiz um rabisco
Botando a minha chancela
Tirei da palhoça uma palha
Fiz um cordão de palmeira
Fiz do marisco a medalha
Pro colo da cirandeira
Entrei na roda da sorte
Brinquei de roda com ela
A moça é de casa forte
Eu sou de casa amarela
Mas foi na casa de lia
Numa ciranda praieira
Que eu vi minha estrela-guia
Nos olhos da cirandeira
Rueda en la playa
En todas las tierras por donde anda
el mar solo baila a la rueda
en la isla de itamaracá
y cuando el mar rueda
ruedo en la arena
ruedo en el mar
encontré en la playa una concha
con la letra de su nombre
al lado hice un garabato
dejando mi sello en ella
saqué de la choza una rama
hice un cordón de palmera
hice de la concha una medalla
para adornar a la bailarina
entré en la rueda de la suerte
bailé a la rueda con ella
la chica es de casa fuerte
yo, de casa amarilla
pero fue en la casa de lia
bailando a la rueda en la playa
cuando vi mi estrella guía
en su mirada de niña

(Lenine / Paulo César Pinheiro)
Lenine – voz, violão, guitarra e percussão
Jr Tostoi – guitarra, dobro, harmonium, percussão de boca, edição, programação, dubs e efeitos
Guila – baixo
Pantico Rocha – bateria
Carlo Núñez – ocarina e gaita de fole
Adail Fernandes – arranjos de cordas
Quinteto da Paraíba: Xisto Medeiros (contrabaixo e arranjo de cordas), Kalin Campos (violoncelo), Ronedilk Dantas (viola), Yerko Tabilo e André Araújo (violino)

O que se abre aberto
Se aproxima perto
Pra esvaziar o já deserto
Desorienta o incerto
Ruma sem trajeto
Nunca existiu mas eu deleto
Querer sem objeto
Voz sem alfabeto
Enchendo um corpo já repleto
O excesso, o exceto
O etcétera e todo resto
Do chão ao céu, da boca ao reto
Eu só eu
No meu vazio
Se não morreu
Nem existiu
Só eu só
No meu pavio
Futuro pó
Que me pariu
Exceso Excepto
Lo que se abre abierto
se aproxima cerca
para vaciar lo ya desierto
desorienta lo incierto
sigue sin trayecto
nunca existió pero lo borro
querer sin objeto
voz sin alfabeto
llenando un cuerpo ya repleto
el exceso, el excepto
el etcétera y todo el resto
del suelo al cielo, de la boca al recto
yo, solo yo
en mi vacío
si no murió
ni existió
sólo, yo sólo
en mi mecha
futuro polvo
que me parió
Faixa 11 – continuação
O contra o encontro a contração
a era o eros a erosão
a fera a fúria o furacão
o como o cosmo a comunhão
O pré a prece a procissão
o pós o póstumo a possessão
a cor a corte a curtição
amor a morte a continuação
Continuación
El contra el encuentro la contracción
la era el eros la erosión
la fiera la furia el tifón
el como el cosmos la comunión
el pre las preces la procesión
el pos el póstumo la posesión
el color el corte el contento
amor la muerte la continuación

(Lenine / Arnaldo Antunes)

Lenine – voz e guitarra

China – voz

Jr Tostoi – guitarra, edição, programação e efeitos

Pantico Rocha – bateria

Guila – baixo

– Continuação

(Lenine)

Lenine – voz e violão

João Cavalcanti – voz

Bruno Giorgi – voz

Bernardo Pimentel – voz

Jr Tostoi – programação, edição e filtros

Coeur Vagabond
Lenine / Braulio Tavares / Adapt: Bia Krieger
Sony BMG
01/01/2006