Aquilo que dá no coração
E nos joga nessa sinuca
Que faz perder o ar e a razão
E arrepia o pêlo da nuca
Aquilo reage em cadeia
E incendeia o corpo inteiro
Faísca, risca, trisca, arrodeia
Dispara o rito certeiro
Avassalador
Chega sem avisar
Toma de assalto, atropela
Vela de incendiar
Arrebatador
Vem de qualquer lugar
Chega, nem pede licença
Avança sem ponderar
Aquilo bate, ilumina
Invade a retina
Retém no olhar
O lance que laça na hora
Aqui e agora
Futuro não há
Aquilo se pega de jeito
Te dá um sacode
Pra lá de além
O mundo muda, estremece
O caos acontece
Não poupa ninguém
Avassalador
Chega sem avisar
Toma de assalto, atropela
Vela de incendiar
Arrebatador
Vem de qualquer lugar
Chega, nem pede licença
Avança sem ponderar
Avassalador
Chega sem avisar
Arrebatador
Vem de qualquer lugar
Aquilo que dá no coração
Que faz perder o ar e a razão
Aquilo reage em cadeia
Incendeia

Compilação lançada em 2010 pela Mameluco Produções | Selo Casa 9
Fotos Anna Barroso
Projeto gráfico Tito França

Milho verde virou Mungunzá
Do sabugo virei Visconde
Quem já leu minha história aprendeu
Quem não leu vai perder o bonde
Eu sou milho de boa linhagem
Cultura e bagagem pra dar e vender
Quem não leu minha história perdeu
E é por isso que eu quero esclarecer
Eu andei pelas ruas da Grécia
Eu já fiz peripécia no reino de Atlantis
Fui vassalo do rei Hamsés
Sem mover os meus pés daqui dessa estante
Fui além das muralhas da China
Além das minas do rei Salomão
Sem mover os meus pés dessa sala
Eu voei sem sair do chão
Tá no livro, tá escrito
No sítio do pica-pau
Pedrinho me fez Visconde
Sabugo de milho intelectual

É que no fim da estrada
Eu vejo quatro horizontes
Há mar
Há montes de histórias
Mistérios
Sedes distintas
Aquilo que te sacia
Pra mim é um três por quatro
O que retrata meu medo
Pra você não tem segredo
O que pra ti é degredo
Pro outro é porto seguro
Teu furo de reportagem
Pra nós é mera bobagem
Viagem sem paradeiro
Nos faz tão perto e distantes
Depois da minha chegada
Tua partida, teu antes
Estrada de quatro sentidos
Encruzilhada de destinos
Quanto mais flor mais mulher
Quanto mais velho mais menino

Belas, singelas
Donzelas
Sem elas o mundo não vai para lugar nenhum
Santas
Rainhas
Meninas
Com elas o mundo aprendeu a girar
Do mistério à criação
Do desejo à compaixão
Elas…agora é que são elas
Cinderela
Rapunzel
A tinta que dá sentido ao papel
O pincel, aquarela
E a mão que assina a pintura na tela
Loucas varridas
Mimadas
Sem elas o mundo é sem rumo e sem direção
Lindas, espertas
Dengosas
Pancadas de chuva sem previsão
Do mistério à criação
Do desejo à compaixão
Elas…agora é que são elas
Cinderela, rapunzel
A tinta que dá sentido ao papel
O pincel, aquarela
E a mão que assina a pintura na tela
Manas, insanas, ciganas
Sem elas o nosso pecado não tem perdão
Divas, benditas
Sagradas barrigas gerando a multiplicação
Cinderela…

Minha cidade
Menina dos olhos do mar
Dos rios que levam meu coração
Do sol que começa a raiar
É por você que eu peço na minha loa
Por essa gente tão boa
Abre um sorriso e canta
Minha cidade
Das vilas, dos manguezais
Dos altos e dos coqueiros
Da fé que move o futuro
Oh, Conceição, Senhora, abençoai
Essa cidade que só quer crescer
E ser feliz
Recife eu te dou meu coração…
Recife eu te dou
Olha o Recife
Da grande festa popular
Dos bravos guerreiros que a história nos deu
Dos arranha-céus e sobrados
É pra você
Que a gente oferece a loa
Pra essa terra tão boa
Abre a janela e canta
Minha cidade
Menina dos olhos do mar
Dos mascates, dos mercados
Das pontes dos tempos de Holanda
Oh, Conceição, senhora, abençoai
O meu recife que só quer crescer
E ser feliz
Teus bairros mostram a coragem residente
E reflete a luta no olhar
Dessa gente humilde que procura vencer
Ensina ao recife e ao mesmo tempo aprender
Minha cidade em evidência, silêncio e harmonia
Com a beleza da noite e a intensidade do dia
Vamos lembrar dos mestres e poetas
Vamos lembrar dos que fizeram do recife
Essa festa
Vamos lembrar Frei Caneca, Ascenço Ferreira
Nelson Ferreira, Brennand, Canibal,
Capiba, João Cabral, Chico Science, Josué,
Vamos lembrar dos batutas de São José
Mestre Salú, Ariano, Zero Quatro, Roger
Daqui do alto Zé do Pinho, mandando pra você
Da nação Zumbi, nação pernambuco,
Mangaba, faceta, faces do subúrbio…
É o Recife que o povo daqui descobriu
Do Marco Zero para o ano 2000
Recife eu te dou meu coração
Meu coração vai nas águas do rio…

Saiu de madrugada
Os cascos na calçada
Quem tava adormecida, escutou
A noite enluarada
Cruzou em disparada
O lago onde a sereia se banhou
Correu a noite inteira
Ergueu tanta poeira
Perdeu-se nos caminhos de sertão
Ouviu atrás do morro
Latidos de cachorro
E o grito de um jaguar na escuridão
O céu, as estrelas
Ouviam meu fado
Passei num roçado
Cheguei num capim
Maria Fumaça
Com olhos de fogo
Passou a dois metros, gritando pra mim
Subi no véu da cachoeira
Bebi a chuva que caiu
Tirei fagulhas nos lajedos
Cruzei parede que se abriu
Montanhas escondidas
Veredas tão cumpridas
E a boca do abismo a esperar
Tropel na encruzilhada
Canção mal assombrada
Corujas com seus olhos de luar
O céu, as estrelas
Ouviam meu fado
Passei num roçado
Cheguei num capim
Maria Fumaça
Com olhos de fogo
Passou a dois metros, gritando pra mim

Ponta de inveja
Um dedo de luxúria
Olhada de guloso não faz mal a ninguem
Se ela quiser tambem
Falsa preguiça
Ira de mentira
Porque guardar pra si tanta beleza
Quanta avareza
É um pecado não gostar de alguem assim
É um pecado não gostar assim de alguem
Inveja, ira, gula, vaidade,
Luxúria, preguiça e vareza
É um pecado não amar alguem assim
É um pecado não pecar com essa princesa
Que beleza
Quando o pecado entra e sai da cabeça

Ai, como é bom a gente amar,
Quando tem jeito pra dar
Um amor firme a você
Ah! Tua face mimosa,
Os teus lábios cor de rosa
Teu olhar me seduziu

Sob o mesmo céu
Cada cidade é uma aldeia,
Uma pessoa,
Um sonho, uma nação
Sob o mesmo céu,
Meu coração não tem fronteiras,
Nem relógio, nem bandeira,
Só o ritmo de uma canção maior
A gente vem do tambor do índio
A gente vem de Portugal
Vem do batuque negro
A gente vem do interior, da capital
A gente vem do fundo da floresta
Da selva urbana dos arranhacéus,
A gente vem do pampa, vem do cerrado,
Vem da megalópole, vem do pantanal,
A gente vem do trem,
Vem de galope,
De navio, de avião, motocicleta,
A gente vem a nado,
A gente vem do samba, do forró,
A gente vem do futuro conhecer nosso passado.
Brasil
Com quantos Brasis se faz o Brasil?
Com quantos Brasis se faz um país?
Chamado Brasil
A gente vem do rap, da favela,
A gente vem do centro, e da periferia
A gente vem da maré, da palafita,
Vem dos Orixás da Bahia
A gente traz um desejo de alegria e de paz,
E digo mais
A gente tem a honra de estar ao seu lado,
A gente veio do futuro conhecer nosso passado
Brasil
Com quantos Brasis se faz o Brasil?
Com quantos Brasis se faz um país?
Chamado Brasil

Foi pra diferenciar
Que deus criou a diferença
Irá nos aproximar
Intuir o que ele pensa
Se cada ser é só um
E cada um com sua crença
Tudo é raro, nada é comum
Diversidade é a sentença
Que seria do adeus
Sem o retorno
que seria do nu
Sem o adorno
que seria do sim
sem o talvez e o não
que seria de mim
sem a compreensão
Que a vida é repleta
e o olhar do poeta
percebe na sua presença
o toque de deus
a vela no breu
a chama da diferença
A humanidade caminha
atropelando os sinais
a história vai repetindo
os erros que o homem faz
o mundo segue girando
carente de amor e paz
se cada cabeça é um mundo
cada um é muito mais
O que seria do caos
Sem a paz
O que seria da dor
Sem o que lhe apraz
O que seria do não
sem o talvez e o sim
O que seria de mim

(Lenine)
(instrumental)

Apesar da idade ela nunca se cansa
de entrar nessa dança e sair no jornal
e tem sempre um plano por debaixo do pano
ela é a alpinista social
Vira a noite no drink a pensar no over-night
no high-fi do society ela rodou
plástica no nome pra não dar vexame
de francês só conhece Belle Mondeau
E jacques cousteau tanto a chegar
no sopé da montanha principal
ela se preza, ajoelha e reza
para ser alpinista social
Lá vai ela, nas pegadas da moda
na alta roda, quer passar sem pedigree
defasada, mas é boa aluna
topa qualquer uma nesta festa de subir
Vira a noite no drink a pensar no over-night
no high-fi do society ela rodou
plástica no nome pra não dar vexame
de francês só conhece Belle Mondeau
E já que custou tanto a chegar
no sopé da montanha principal
ela se preza, ajoelha e reza
para ser alpinista social