Deu raposa na cabeça
Deu bicho no pé do samba
Deu federa na muamba
Deu surfista na central
Deu entulho no canal
E no jornal deu a notícia
Que no cofre da polícia
Muita prova se escondeu
Estranho! Bizarro!
Tudo isso aconteceu,
Acredite ou não… Inesperado!
Normal só tem você e eu.
Metaleiros no maráca
Japonês na apoteose
Caretice do panaca
Overdose no esperto
Tempestade no deserto
Maremoto na piscina
Rififi na palestina
Bangue-bangue no borel
Estranho! Bizarro!
Tudo isso aconteceu
Acredite ou não… Inesperado!
Normal só tem você e eu.
Quando o mar não tá pra peixe
Jacaré vai de canoa
Quando a banda não é boa
Vai play-back e tudo bem…
Nesta vida sempre tem
Uma surpresa de emboscada,
Muita carta foi marcada
E muito jogo se perdeu.
Estranho! Bizarro!
Tudo isso aconteceu
Acredite ou não… Inesperado!
Normal só tem você e eu.

(Lenine e Bráulio Tavares)
Lenine – Voz, Violão E Vocais
Suzano – Pandeiro, Tan-Tan, Surdo, Ganzá, Caixa De Guerra, Cowbell E Tubo Sonoro

Lenine – Voz e Violão

Marcos Suzano – Voz e Percussão

Participações especiais: Carlos Malta, Fernando Moura e Paulo Muylaert
Gravado no estúdio Chorus, Rio de Janeiro, por Denilson Campos
Mixado por RPM Studios, Nova York, por James A. Ball
2º engenheiro: Gray Russel
Masterizado no Pró Master, Rio de Janeiro, por Denilson Campos
Arranjos e direção musical: Lenine e Marcos Suzano
Capa: Barrão e Lenine
Foto: Junior Fernandes
Produtor fonográfico: Lenine, Marcos Suzano e Denilson Campos

A onda ainda quebra na praia
Espumas se misturam com o vento
No dia em que você foi embora eu fiquei
Sentindo saudades do que não foi
Lembrando até do que não vivi
Pensando em nós dois
Eu lembro a concha em seu ouvido
Trazendo o barulho do mar na areia
No dia em que você foi embora eu fiquei
Sozinho olhando o sol morrer
Por entre as ruínas de Santa Cruz
Lembrando nós dois
Os edifícios abandonados
As estradas sem ninguém
Óleo queimado,
As vigas na areia,
A lua nascendo
Por entre os fios dos seus cabelos
Por entre os dedos da minha mão
Passaram certezas e dúvidas,
Pois no dia em que você foi embora eu fiquei
Sozinho no mundo sem ter ninguém
O último homem no dia em que o sol morreu.

(Lenine e Lula Queiroga)
Lenine – Voz, Violão E Vocais
Suzano – Moringa + Baixela + Bock, Ganzá, Derbak E Pratos

Eu sou aquele navio,
No mar sem rumo e sem dono.
Tenho a miragem do porto
Pra reconfortar meu sono
E flutuar sobre as águas
Da maré do abandono
Ê lá no mar,
Eu vi uma maravilha
Vi o rosto de uma ilha
Numa noite de luar. Êta luar
Lumiou o meu navio,
Quem vai lá no mar bravio
Não sabe o que vai achar
E sou a ilha deserta
Onde ninguém quer chegar.
Lendo as rotas das estrelas,
Na imensidão do mar
Chorando por um navio
Ai, ai, ui, ui,
Que passou sem lhe avistar.

(Lenine e Bráulio Tavares)
Lenine – Voz, Violão, Vocais E Navio De Boca
Suzano – Pandeirão (Tar), Surdo, Pratos E Repique Com Vassourinha

Permanentemente, preso ao presente
O homem na redoma de vidro
Em raros instantes
Alívio e deleite
Ele descobre o véu
Que esconde o desconhecido.
É como uma tomada à distância
Numa grande angular
É como se nunca tivesse existido dúvida.
Evidentemente a mente é como um baú
O homem é quem decide
O que nele guardar,
Mas a razão prevalece
Impõe seus limites
E ele se permite esquecer de lembrar
É como se passasse a vida inteira
Eternizando a miragem
É como o capuz negro
Que cega o falcão selvagem.
Se na cabeça do homem tem um porão
Onde mora o instinto e a repressão
Me diz aí
O que que tem no sótão?

(Lenine)
Lenine – Voz, Violão E Vocais
Suzano – Pandeiro | Carlos Malta – Sax

Muito além, a mais do que devia
Excesso de tato, toda delicadeza
Contanto, contudo, todavia, toda vez
Você desvia o rumo do assunto.
E nunca que chega junto,
E nunca que chega ao centro da questão
Escrúpulo
Você não fala pelas costas
Você não fala pelos cotovelos,
Passa as noites em claro,
Mordendo a fronha,
Escolhendo frases de efeito moral.
E nunca que você dá jeito,
E nunca que ninguém
Dá jeito na situação.
Escrúpulo
O tímido medo do ridículo,
É sempre no limite que você decide.
Decide se vai, ou se fica, ou se foge,
Decide o revide, ou decide o perdão.
Você não sabe muito bem ao certo,
Com que medida deve ser medido.
O que é que move lá no fundo
Da vontade oculta,
O que é que assusta seu coração.
Você persegue a causa,
E nunca percebe
A causa da destruição.
Escrúpulo
Odeio ficar fazendo rodeio,
Pelo tolo receio de ouvir um não.
Dando passos em falso,
Andando em círculos,
O pé atrás, o impasse,
O nó na garganta.
E então já não adianta
Dar a decisão.
Escrúpulo
O tímido medo do ridículo…

(Lenine e Lula Queiroga)
Lenine – Voz, Violão E Percussão Acidental
Suzano – Pandeiro, Pratos, Cuícas, Efeitos E Percussão Acidental
Eduardo Siddha – Percussão Acidental
Fernando Moura – Teclados

O que é bonito?
É o que persegue o infinito;
Mas eu não sou
Eu gosto do inacabado,
Do imperfeito, o estragado,
O que dançou
Eu quero mais erosão
Menos granito.
Namorar o zero e o não,
Escrever o que desprezo
E desprezar o que acredito.
Eu não quero a gravação,
Eu quero o grito.
É que a gente vai
E fica a obra,
Mas eu persigo o que falta
Não o que sobra.
Eu quero tudo o que dá e passa.
Quero tudo que se despe,
Se despede,
E despedaça.

(Lenine e Bráulio Tavares)
Lenine – voz e violão

Lá…
Onde o mar
Bebe o capibaribe.
Coroado leão,
Caribenha nação,
Longe do Caribe.

(Lenine e Bráulio Tavares)
Lenine – voz

É a festa dos negros coroados
Num batuque que abala o firmamento;
É a sombra dos séculos guardados
É o rosto do girassol dos ventos.
É a chuva, o roncar de cachoeiras
Na floresta onde o tempo toma impulso:
É a força que doma a terra inteira
As bandeiras de fogo do crepúsculo.
Quando o grego cruzou gibraltar
Onde o negro também navegou,
Beduíno partiu de dacar
E o viking no mar se atirou
Uma ilha no meio do mar
Era a rota do navegador;
Fortaleza, taberna e pomar
Num país tuaregue e nagô
É o brilho dos trilhos que suportam
O gemido de mil canaviais;
Estandarte em veludo e pedrarias
Batuqueiro, coração dos carnavais
É o frevo, a jogar pernas e braços
No alarido de um povo a se inventar;
É o conjunto de ritos e mistérios
É um vulto ancestral de além-mar.
Quando o grego cruzou gibraltar
Onde o negro também navegou,
Beduíno partiu de dacar
E o viking no mar se atirou.
Era o porto para quem procurava
O país onde o sol vai se pôr
E o seu povo no céu batizava
As estrelas ao sul do Equador.

(Lenine e Bráulio Tavares)
Lenine – Voz, Violão E Vocais
Suzano – Moringa Com Vassourinha, Derbak, Pandeirão (Tar), Pandeiro, Cowbell, Lata E Pratos

Tanto faz ser pirata ou rei
O reinado de um rei
Nas mãos de um pirata de lei,
Se apaga
Tanto faz ser rei ou pirata.
A nau do pirata
Nas mãos de um rei de lata,
Se afoga
Tanto faz se o rei pirateou
Eu tô de lá e lô
Tanto faz se o pirata reinou
Eu tô de lá e lô.

(Lenine)
Lenine – Voz, Violão E Vocais
Suzano – Pandeirão (Tar), Tan-Tan, Triângulos, Reco-Reco De Molas E Pratos | Paulo Muylaert – Guitarra

Sou o coração do folclore nordestino
Eu sou Mateus e Bastião do Boi Bumba
Sou um boneco de Mestre Vitalino
Dançando uma ciranda em Itamaracá
Eu sou um verso de Carlos Pena Filho
Num frevo de Capiba
Ao som da Orquestra Armorial
Sou Capibaribe
Num livro de João Cabral
Sou mamulengo de São Bento do Una
Vindo num baque solto de um Maracatu
Eu sou um auto de Ariano Suassuna
No meio da feira de caruaru
Sou frei caneca no pastoril do faceta
Levando a flor da lira
Pra nova Jerusalém
Sou Luiz Gonzaga
E vou dando um cheiro em meu bem
Eu sou mameluco
Sou de casa forte
Sou de Pernambuco
Sou leão do norte
Sou macambira de Joaquim Cardoso
Banda de Pife no meio do canavial
Sa noite dos tambores silenciosos
Sou a calunga revelando o carnaval
Sou a folia que desce lá de Olinda
O homem da meia noite
Eu sou puxando esse cordão
Sou jangadeiro
Na festa de Jaboatão
Eu sou mameluco…

(Lenine e Paulo C Pinheiro)
Lenine – Voz, Violão, Vocais E Caboclinho De Boca
Suzano – Pandeiro, Tan-Tan + Caixa E Tan-Tan Solo

É bonito se ver
Na beira da praia,
A gandaia
Das ondas que o barco balança.
Batendo na areia,
Molhando os cocares
Dos coqueiros,
Como guerreiros na dança.
Ó! Quem não viu, vá ver,
A onda do mar crescer.

(Lenine)
Lenine – Voz E Vocais
Suzano – Moringa + Baixela + Block, Ganzá, Pratos E Efeitos

Olha! Que brisa é essa,
Que atravessa
A imensidão do mar?
Rezo, paguei promessa
E fui a pé daqui até Dakar.
Praia, pedra e areia,
Boto e sereia, os olhos de Iemanjá
Água! Mágoa do mundo,
Por um segundo
Achei que estava lá.
Olha! Que luz é essa,
Que abre um caminho
Pelo chão do mar.
Lua, onde começa,
E onde termina o tempo de sonhar?
”Eu tava na beira da praia
Ouvindo as pancadas
Das ondas do mar”.

(Lenine e Dudu Falcão)
Lenine – Voz, Violão E Vocais
Suzano – Moringa + Baixela + Block, Ganzá, Pratos E Efeito

A leste das montanhas da nação cherokee
Um índio na motocicleta cruza o deserto.
Ao longe o cemitério onde dorme o pai,
Mas ele sabe que seu pai não está ali.
É mais além.
A linha que separa
O mar do céu de chumbo
A gaivota caça o peixe radioativo
O náufrago retém a última miragem
E morre como se continuasse vivo.
É mais, é mais além.
Um pouco de exagero, não é nada demais
Um olho nas estrelas, outro olho aqui:
O astrônomo lunático
Brincando com o sol
Descobre que a distância
É mais do que um cálculo.
É mais, é mais, é mais além.
A lua metafísica na poça de lama,
Ponteiros que disparam
Ao contrário das horas
Hora de saber o que mudou em você,
Que olha no espelho e não vê ninguém.
É mais, é mais, é mais, é mais além.
O homem sobre a areia como era no início,
Roçando duas pedras, uma em cada mão
Descobre a fagulha
Que incendeia o paraíso,
E imaginou que havia inventado deus.
É mais, é mais, é mais, é mais, é mais além.

(Lenine, Bráulio Tavares, Lula Queiroga e Ivan Santos)
Lenine – Voz E Violão
Suzano – Pandeiro E Pratos