The Bridge é formado por:

Lenine (Brasil): vocais, violões, composições
Martin fondse (Netherlands): piano, vibrandoneon, arrangements, compositions
Dirk-Peter Kölsch (Germany): drums
Eric Van Der Westen (Netherlands): bass
Irma Kort (Netherlands): oboe, English horn
Soren Siegumfeldt (Denmark): tenor sax
Vera Van Der Bie (Netherlands): violin
Herman Van Haaren (Netherlands): violin
Annie Tangberg (Norway): cello
Mete Erker (Netherlands/Turkey): soprano sax, bass clarinet

Direção musical – Lenine & Martin Fondse
Direção, edição e montagem – Flora Pimentel e Gustavo Tolhuizen
Produção executiva – KK Mamoni
Engenheiro de som e gravação – Chris Weeda
Engenheiro de som – Henrique Vilhena
Mixagem e gravação – Denilson Campos | Solo Áudio
Masterização – Carlos Freitas | Classic Master
Ligth design – Robson de Cassia
Captação de imagens (Bimhuis) – Max Boeree e Carrien Dijkstra (Big Ears)
Imagens adicionais e makin of – KK Mamoni, Tami Matuoka, Riccardo Melchiades, Gustavo Tolhuizen, Fernando Neumayer, Luis Martino e João Vitor Machado (Toca Videos)
Colorista e finalização – Riccardo Melchiades
Autoração – Square Pixel
Fotografia – Juliana Cerdeira
Projeto gráfico – Petit Pois Studio
Bimhuis Crew:
Programmer – Huub Van Riel
Production – Alexandra Mientjes
Press & publicity – Anne Koperdraat
Technicians – Marc Schots & Onno Prillwitz
Floor-manager – Robbin Poots
Otherstaff – Max Bouwhuis, Nicolas Chientaroli, Bas Velkers, Fleur Baltes, Jonan Falke, Yoshi Reinders & Nina Rompa
Holanda Office:
Martin Fondse Music and Happy Orchids Productions
Production, bookings, PR & Tour Management – Tami Toledo Matuoka

Como é que faz pra lavar a roupa?
Vai na fonte, vai na fonte
Como é que faz pra raiar o dia?
No horizonte, no horizonte
Esse lugar é uma maravilha.
Mas como é que faz pra sair da ilha?
Pela ponte, pela ponte

A ponte não é de concreto.
Não é de ferro, não é de cimento
A ponte é até onde vai o meu pensamento

A ponte não é para ir nem pra voltar.
A ponte é somente atravessar
Caminhar sobre as águas desse momento.

A ponte nem tem que sair do lugar.
Aponte pra onde quiser
A ponte é o abraço do braço de mar com a mão da maré.

A ponte não é para ir nem pra voltar
A ponte é somente atravessar
Caminhar sobre as águas desse momento

Nagô… Nagô… Na Golden Gate

Entreguei-te
Meu peito jorrando meu leite
Atrás do retrato-postal
Fiz um bilhete
No primeiro avião mandei-te
Coração dilacerado
De lá pra cá sem pernoite
De passaporte rasgado
Sem ter nada que me ajeite
Coqueiros varam varandas no Empire State
Aceite
Minha canção hemisférica
Minha voz na voz da América
Cantei-te
Amei-te

(Lenine e Lula Queiroga)

Nenhum aquário é maior do que o mar
Mas o mar espelhado em seus olhos
Maior me causa o efeito
De concha no ouvido
Barulho de mar
Pipoco de onda
Ribombo de espuma e sal
Nenhuma taça me mata a sede
Mas o sarrabulho me embriaga
Mergulho na onda vaga
E eu caio na rede,
Não tem quem não caia
E eu caio na rede,
Não tem quem não caia

Às vezes eu penso que sai dos teus olhos o feixe
De raios que controla a onda cerebral do peixe

Nenhuma rede é maior do que o mar
Nem quando ultrapassa o tamanho da terra
Nem quando ela acerta,
Nem quando ela erra
Nem quando ela envolve todo o planeta
Explode e devolve pro seu olhar
O tanto de tudo que eu tô pra te dar
Se a rede é maior do que o meu amor
Não tem quem me prove

Às vezes eu penso que sai dos teus olhos o feixe
De raios que controla a onda cerebral do peixe

E eu caio na rede,
Não tem quem não caia

Se a rede é maior do que o meu amor
Não tem quem me prove

(Lenine e Lula Queiroga)

Chão chega perto do céu
Quando você levanta a cabeça e tira o chapéu
Chão cabe na minha mão
O pequeno latifúndio do seu coração
Chão quando quer descer
Faz uma ladeira
Chão quando quer crescer
Vira cordilheira
Chão segue debaixo do mar
O assoalho da planeta e do terceiro andar
Chão onde a vista alcançar
Todo e qualquer caminho pra percorrer e chegar
Chão quando quer sumir
Se esconde no buraco
Chão se quer sacudir
Vira um terremoto
O chão quando foge dos pés
Tudo perde a gravidade
Então ficaremos só nós
A um palmo do chão da cidade

(Lenine e Lula Queiroga)

Pequeno, e ainda assim imenso.
Calado, e ainda assim intenso.
Pesado, e ainda assim flutua.
Veneno, e ainda assim me cura.

Quando um sentimento
Fica assim, fora de si.
Coração perde a cabeça,
E o juízo voa.
O universo na cabeça do alfinete
Tudo brilha diferente
no olho da pessoa.

Parado, e ainda assim ligeiro.
Inteiro, e ainda assim partido.
Doído, e ainda assim contente.
Descrente, e ainda assim feliz.
Quando um sentimento
Fica assim, fora de si.
Coração perde a cabeça,
E o juízo voa.

O universo na cabeça do alfinete
Tudo brilha diferente
no olho da pessoa.

(Lenine e Lula Queiroga)

A nave quando desceu, desceu no morro.
Ficou da meia-noite ao meio-dia.
Saiu, deixou uma gente,
Tão igual e diferente,
Falava e todo mundo entendia.

Os homens se perguntaram,
Por que não desembarcaram
Em São Paulo, em Brasília ou em Natal.
Vieram pedir socorro,
Pois quem mora lá no morro,
Vive perto do espaço sideral.

Pois em toda a Via Láctea,
Não existe um só planeta
Igual a esse daqui.
A galáxia tá em guerra,
Paz só existe na terra,
A paz começou aqui…

Sete artes e dez mandamentos,
Só tem aqui…
Cinco sentidos, terra, mar, firmamento,
Só tem aqui…
Essa coisa de riso e de festa,
Só tem aqui…
Baticum ziriguidum, dois mil e um,
Só tem aqui…

A nave estremeceu, subiu de novo,
Deixou um rastro de luz no meio-dia
Entrou de volta nas trevas,
Foi buscar futuras levas
Pra conhecer o amor e a alegria.

A nave quando desceu, desceu no morro,
Cheia de “ET” vestido de orixá.
Vieram pedir socorro,
E se derem vez ao morro
Todo o universo vai sambar.

Pois em toda a Via Láctea
Não existe um só planeta…
…Baticum, ziriguidum, dois mil e um.
Só tem aqui…

(Lenine e Bráulio Tavares)

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não para

Enquanto o tempo acelera
E pede pressa
Eu me recuso, faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara

Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência

Será que é tempo que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo pra perder?
E quem quer saber
A vida é tão rara, tão rara
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei,
A vida não para.

(Lenine e Dudu Falcão)

Se você quer me seguir
Não é seguro.
Você não quer me trancar
Num quarto escuro.
Às vezes parece até que a gente deu um nó.
Hoje eu quero sair só…

Você não vai me acertar
À queima-roupa.
Vem cá, me deixa fugir.
Me beija a boca.
Às vezes parece até que a gente deu um nó.
Hoje eu quero sair só…

…Não demora eu tô de volta…
Tchau!
Vai ver se eu estou lá na esquina,
Devo estar
Tchau!
Já deu minha hora
E eu não posso ficar
Tchau!
A lua me chama,
Eu tenho que ir pra rua.

(Lenine, Um Chebabi e Caxa Aragão)

Eu sou aquele navio,
No mar sem rumo e sem dono.
Tenho a miragem do porto
Pra reconfortar meu sono
E flutuar sobre as águas
Da maré do abandono
Ê lá no mar,
Eu vi uma maravilha
Vi o rosto de uma ilha
Numa noite de luar. Êta luar
Lumiou o meu navio,
Quem vai lá no mar bravio
Não sabe o que vai achar
E sou a ilha deserta
Onde ninguém quer chegar.
Lendo as rotas das estrelas,
Na imensidão do mar
Chorando por um navio
Ai, ai, ui, ui,
Que passou sem lhe avistar.

(Lenine e Bráulio Tavares)

Tá relampiano, cadê neném?
Tá vendendo drops no sinal pra alguém
Tá relampiano, cadê neném?
Tá vendendo drops no sinal pra alguém,
Tá vendendo drops no sinal…

Todo dia é dia, toda hora é hora,
Neném não demora pra se levantar,
Mãe lavando roupa, pai já foi embora
E o caçula chora para se acostumar
Com a vida lá de fora do barraco,
Hai que endurecer um coração tão fraco,
Para vencer o medo do trovão,
Sua vida aponta a contramão

Tá relampiano, cadê neném?
Tá vendendo drops no sinal pra alguém
Tá relampiano, cadê neném?
Tá vendendo drops no sinal pra alguém,
Tá vendendo drops no sinal…

Tudo é tão normal, todo tal e qual,
Neném não tem hora pra ir se deitar,
Mãe passando roupa do pai de agora,
De um outro caçula que ainda vai chegar,
É mais uma boca dentro do barraco,
Mais um quilo de farinha do mesmo saco,
Para alimentar um novo João Ninguém,
A cidade cresce junto com neném

(Lenine e Paulinho Moska)

A dureza real de quem é pedra
Que a volúpia do atrito lapida;
Esse brilho tenaz que quase cega
É ventura do ventre da ferida.
Quem dirá, migalha de sol,
Que o brilho é teu apogeu,
Se ofuscado no caldo das estrelas
O brilho se perdeu?
Sou de estrelas a causa e o pó.
Sou de estrelas e só.

Do ser ao pó, é só
Carbono
Solene, terreno, imenso;
Perene, pequeno, humano.

Natureza tão sólida de tinta
Que o frágil atrito transporta
Esse risco voraz te faz faminta
E a rasura te move em linha torta.
O contraste será troféu
Que teu risco alinhavou
Ou vestida mortalha das estrelas
O risco se apagou?

(Lenine e João Cavalcanti)

Muito do que eu faço
Não penso, me lanço sem compromisso.
Vou no meu compasso
Danço, não canso a ninguém cobiço.
Tudo o que eu te peço
É por tudo que fiz e sei que mereço
Posso, e te confesso.
Você não sabe da missa um terço

Tanto choro e pranto
A vida dando na cara
Não ofereço a face nem sorriso amarelo
Dentro do meu peito uma vontade bigorna
Um desejo martelo

Tanto desencanto
A vida não te perdoa
Tendo tudo contra e nada me transtorna
Dentro do meu peito um desejo martelo
Uma vontade bigorna

Vou certo
De estar no caminho
Desperto.

(Lenine)

O verbo saiu com os amigos
Pra bater um papo na esquina,
A verba pagava as despesas,
Porque ela era tudo o que ele tinha.
O verbo não soube explicar depois,
Porque foi que a verba sumiu.
Nos braços de outras palavras
O verbo afogou sua mágoa, e dormiu.

O verbo gastou saliva,
De tanto falar para o nada.
A verba era fria e calada,
Mas ele sabia, lhe dava valor.
O verbo tentou se matar em silêncio,
E depois quando a verba chegou,
Era tarde demais
O cadáver jazia,
A verba caiu aos seus pés a chorar
Lágrimas de hipocrisia.

Rosebud
Dolores e dólares

(Lenine e Lula Queiroga)

Sou o coração do folclore nordestino
Eu sou Mateus e Bastião do Boi Bumbá
Sou um boneco do Mestre Vitalino
Dançando uma ciranda em Itamaracá
Eu sou um verso de Carlos Pena Filho
Num frevo de Capiba, ao som da orquestra armorial
Sou Capibaribe num livro de João Cabral

Sou mamulengo de São Bento do Una
Vindo num baque solto de um Maracatu
Eu sou um auto de Ariano Suassuna
No meio da Feira de Caruaru
Sou Frei Caneca no Pastoril do Faceta
Levando a flor da lira pra Nova Jerusalém
Sou Luiz Gonzaga, eu sou do mangue também

Eu sou mameluco, sou de Casa Forte
Sou de Pernambuco, eu sou o Leão do Norte
Eu sou mameluco, eu sou de Casa Forte
Sou de Pernambuco, eu sou o Leão do Norte

Sou Macambira de Joaquim Cardoso
Banda de Pife no meio do Canavial
Na noite dos tambores silenciosos
Sou a calunga revelando o Carnaval
Sou a folia que desce lá de Olinda
O homem da meia-noite puxando esse cordão
Sou jangadeiro na festa de Jaboatão

 

(Lenine e Paulo César Pinheiro)

Solidão
O silêncio das estrelas
A ilusão
Eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos
Como um deus, e amanheço mortal

E assim
Repetindo os mesmos erros
Dói em mim
Ver que toda essa procura não tem fim
E o que é que eu procuro afinal

Um sinal
Uma porta pro infinito
O irreal
O que não pode ser dito
Afinal
Ser um homem em busca de mais
Afinal
Como estrelas que brilham em paz

(Lenine e Dudu Falcão)

Já que sou brasileiro,
E que o som do pandeiro
É certeiro e tem direção
Já que subi nesse ringue,
E o país do suingue,
É o país da contradição.
Eu canto pro rei da levada,
Na lei da embolada,
Na língua da percussão,
A dança, a muganga, o dengo,
A ginga do mamulengo,
O charme dessa nação

Quem foi?
Que fez o samba embolar
Quem foi?
Que fez o coco sambar
Quem foi?
Que fez a ema gemer na boa
Quem foi?
Que fez do coco um cocar
Quem foi?
Que deixou um oco no lugar
Quem foi
Que fez do sapo cantor de lagoa?

“E diz aí, Tião!
Tião? – Oi…
Foste? – Fui.
Comprasse? – Comprei.
Pagasse? – Paguei.
Me diz quanto foi? – Foi 500 reais.”

Já que sou brasileiro
Do tempero e do batuque,
Do truque do picadeiro,
Do pandeiro e do repique,
Do pique do funk-rock,
Do toque da platinela,
Do samba na passarela,
Dessa alma brasileira
Despencando da ladeira
Na zoeira da banguela

“Eu só ponho o bebop no meu samba
Quando o Tio Sam pegar no tamborim
Quando ele pegar no pandeiro e no zabumba
Quando ele entender que o samba não é rumba
Aí eu vou misturar miami com Copacabana
Chiclete eu misturo com banana
E o meu samba, e o meu samba vai ficar assim…

A ema gemeu
a ema gemeu…”

(Lenine)

Tá cansada senta
Se acredita tenta
Se tá frio esquenta
Se tá fora entra
Se pediu aguenta

Se sujou cai fora
Se dá pé namora
Tá doendo chora
Tá caindo escora
Não tá bom melhora

Se aperta grite
Se tá chato agite
Se não tem credite
Se foi falta apite
Se não é imite

Se é do mato amanse
Trabalhou descanse
Se tem festa dance
Se tá longe alcance
Use sua chance

Se tá puto quebre
Tá feliz requebre
Se venceu celebre
Se tá velho alquebre
E corra atrás da lebre

Se perdeu procure
Se é seu segure
Se tá mal se cure
Se é verdade jure
Quer saber apure

Se sobrou congele
Se não vai cancele
Se é inocente apele
Escravo se rebele
Nunca se atropele

Se escreveu remeta
Engrossou se meta
Quer dever prometa
Pra moldar derreta
E não se submeta

(Lenine e Ivan Santos)